sábado, 30 de abril de 2016

Não me venhas dizer que a culpa é minha, por não saberes sobre a minha vida

Que tu não me venhas culpar
Que tu não me venhas dizer
Que por teu filho ser
Tu deverias saber

Seus costumes e tradições,
Já mortos.
Te impedem de entender, conhecer.
E já não consegues pensar
Sem julgar.
E precisas olhar
Para acreditar.

Pois teu deus disse que é vergonha.
Ao teu redor, te olham com indagação
Mera besteira, bobagem e ilusão.

Não sabes ainda que enquanto tua cabeça esquenta
Importando-se com tanta lei, regra e letra
A vida passa, se apressa
E você aos poucos, me perde nessa.

Minha vida vai se tornando mistério
Já não tens mais o que dizer sobre quem eu fui ou era
Sobre onde estou ou estive
Sobre o que fiz
Sobre o que conheci
Sobre o que aprendi
Sobre o que vivi.

Eu já não existo
O que tu conheces e pensas saber
É apenas sombra de como querias me ver
Apenas memória
Daquilo que um dia já fui
Daquilo que quiseste que eu foste.


Já não sou mais.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Depois do sexo o sono volta


Ele acordava todos as madrugadas
Pelas cinco horas das manhãs
Eu me levantava e algumas vezes não o tinha ao meu lado na cama.
Isso me chateava, me deixava sem entender
Entender o porquê do homem acordar a essas horas e ler.

Até que um dia ele veio até mim, sem sono e reclamou de não conseguir dormir.
Eu estava quente
Ele ficou quente
Nos beijávamos lembrando do nosso amor
Ele me sorria com seus grandes olhos
Nos chegamos e nos tocamos
Provei nos lábios acordados o gosto do teu sexo
Ele acordou e nossos corpos se encontraram
Éramos apenas um.

Entre o instinto e o raciocínio
Ele regozijou e sorriu, me abraçou e me fez abraçá-lo
E em seguida dormiu.