Era a inauguração de algo semelhante a uma mercearia, uma espécie de mercado do bairro, porém com muitas repartições de mercadorias.
Meu pai era o dono, porém era mal organizado e como ainda não havia contratado todos os funcionários, eu recolhia currículos para "possíveis novos funcionários".
Estava sentado em um local privilegiado, onde podia ver todas as seções do mercado, e com uma visão superior de todas as pessoas que estavam ali.
Eis que uma senhora chegou-se a mim. Desci para atendê-la. Ela estava a procura de um CD, um tanto dançante, o que me espantou pela sua idade avançada. Tentei ajudá-la indicando a repartição, meu pai ou outra pessoa de superioridade no mercado se aproximou e ajudou a senhora, e logo após recebeu da doce senhora um papel, uma folha, o provável curriculum da senhora, que logo foi aceita e indicada para a parte das verduras, pois "ela deve conhecer bastante, além de ser muito simpática com os clientes".
O dia de trabalho acabou, a senhora saiu com uma outra senhora, aparentemente da mesma idade. As duas pareciam aquelas típicas avós falando sobre problemas familiares. Eu podia vê-las caminhando entre aquelas árvores e escuridão da praça principal da cidade. Podia vê-las como se estivesse detrás de uma câmera, colocada no alto de uma árvore. Elas começaram a rir, como se estivessem bêbadas. Gargalhavam, tropeçavam e continuavam abraçadas rindo. De repente elas olhavam pra mim de cima da árvore, rindo maliciosamente.
A senhora com o cabelo longo estendeu os braços e a senhora com o cabelo de coque deitou-se sobre eles. E as duas rindo continuavam me olhando.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Pesadelo
Tens tempo
É tão bonito o que sentimos um pelo outro.
É doce e salgado ao mesmo tempo.
Parece dosado na quantidade "adequada",
parece aquela saudade que sentimos na madrugada.
Você tem o sorriso mais encantador que já tive o privilégio de ver.
Ao mesmo tempo fico maravilhado com o seu jeito de ser.
Algumas vezes me sinto oposto.
Você é simpático, feliz, alegre,
sempre positivo, companheiro.
Cuida de mim como minha própria mãe.
Porém o amor que sinto por ti é de amante, que fique claro.
Daí é que começa o caso.
Meus sentimentos vão tomando proporções cada vez maiores.
Quero te ver.
Quero estar contigo.
Quero dormir e acordar podendo ver o seu sorriso.
Quero, pela manhã, fazer café, por mais que apenas você beba.
Poder planejar sempre um almoço e um jantar,
algo nosso.
E como sempre, preparar isso juntos.
Sei e não sei o que sinto.
É cada vez maior, e é cada vez mais forte.
Existe uma ansiedade,
doença do século,
que me atormenta, e me faz desesperado,
tanto para te ver, como para estar com você.
Não quero sofrer com isso.
E eu já até percebi o grande risco.
Sei que te amo.
Sei que te quero.
Sei que preciso cuidar
Para que a planta não fique maior que o cômodo.
Para que eu não seja à ti um incômodo.
Afinal te amo tanto,
Tanto, tanto
Que as vezes te amo e apenas te amo.
Com suas falhas.
Com seus esquecimentos.
Com suas distrações.
Nossas discussões
Sejam elas sobre política, estilo de vida, amizades e futuros.
São só nossas.
Gostaria de saber como sanar todas suas dúvidas pelo que sinto.
Gostaria de poder dizer
É isso ai e daqui não saio.
Mas não sou só eu.
Não és só meu.
Não és objeto
Não és uma máquina.
Tens vida.
Tens sentimentos.
Tens desejos.
Tens curiosidade.
Tem vivacidade.
E por fim
Tens tempo.
Gabriel Pena