sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Pesadelo

Era a inauguração de algo semelhante a uma mercearia,  uma espécie de mercado do bairro, porém com muitas repartições de mercadorias. 
Meu pai era o dono, porém era mal organizado e como ainda não havia contratado todos os funcionários, eu recolhia currículos para "possíveis novos funcionários".
Estava sentado em um local privilegiado,  onde podia ver todas as seções do mercado, e com uma visão superior de todas as pessoas que estavam ali.
Eis que uma senhora chegou-se a mim. Desci para atendê-la. Ela estava a procura de um CD,  um tanto dançante,  o que me espantou pela sua idade avançada.  Tentei ajudá-la indicando a repartição,  meu pai ou outra pessoa de superioridade no mercado se aproximou e ajudou a senhora, e logo após recebeu da doce senhora um papel, uma folha,  o provável curriculum da senhora,  que logo foi aceita e indicada para a parte das verduras,  pois "ela deve conhecer bastante, além de ser muito simpática com os clientes".
O dia de trabalho acabou, a senhora saiu com uma outra senhora, aparentemente da mesma idade. As duas pareciam aquelas típicas avós falando sobre problemas familiares. Eu podia vê-las caminhando entre aquelas árvores e escuridão da praça principal da cidade. Podia vê-las como se estivesse detrás de uma câmera,  colocada no alto de uma árvore. Elas começaram a rir, como se estivessem bêbadas. Gargalhavam, tropeçavam e continuavam abraçadas rindo. De repente elas olhavam pra mim de cima da árvore,  rindo maliciosamente. 
A senhora com o cabelo longo estendeu os braços e a senhora com o cabelo de coque  deitou-se sobre eles. E as duas rindo continuavam me olhando.

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